Curiosidades | História do Vidro   
   


O vidro é uma das descobertas mais surpreendentes do homem e a sua história está repleta de mistérios.

Embora os historiadores não disponham de dados exactos sobre a sua origem, foram descobertos objectos de vidro nas necrópoles Egípcias. Imagina-se que o vidro já era conhecido há pelo menos 4.000 anos antes da Era Cristã.

Alguns autores apontam os navegadores Fenícios como os precursores da indústria do vidro. A descoberta terá sido casual, - numa praia das costas da Síria ao prepararem uma fogueira, improvisaram um fogão, com blocos de salitre e soda. Com o calor atingiu-se uma intensidade que foi suficiente para derreter as duas matérias e formar o vidro.

Durante o Império Romano, houve um grande desenvolvimento desta actividade, com o apogeu no século XIII em Veneza. Após os incêndios nos fornos de vidro, esta indústria foi transferida para Murano, ilha próxima de Veneza. A fama dos seus cristais, espelhos e vidros coloridos perdura até hoje.

A França já fabricava vidro desde a época dos Romanos, mas foi só no final do século XVIII que a indústria prosperou e alcançou um grau de perfeição notável. Em meados desse século, o rei francês Luís XIV reuniu alguns mestres vidreiros e montou a Companhia de Saint-Gobain, uma das mais antigas empresas do mundo.

O processo de produção em larga escala de placas de vidro para janelas só foi descoberto em 1910, ao mesmo tempo por Irving W. Colburn (1861-1917), nos EUA, e por Emile Fourcault, na Bélgica.

A indústria moderna do vidro surgiu com a revolução industrial e a mecanização dos processos. Nos anos 50, na Inglaterra, a Pilkington inventou o processo de produção do vidro Float, conhecido também como cristal, que revolucionou a tecnologia dessa próspera indústria. Desde então iniciou-se a fabricação de vidros de grande qualidade para instrumentos ópticos, garrafas, vasos e outros utensílios, com a consequente melhoria da qualidade de vida.

Em Portugal

Foi só no século XVIII que a indústria vidreira estabeleceu-se em Portugal. No entanto, existem informações que remetem para a existência de alguns produtores artesanais de vidro no século XV. É conhecido o labor do vidreiro Guilherme, que trabalhou no Mosteiro da Batalha. O vidro era obtido através da incineração de produtos naturais com carbonato de sódio. Existiram vários fornos a laborar na produção de vidro em Portugal, mas a passagem de uma produção artesanal, muito limitada, para uma produção industrial foi lenta.

No reinado de D. João V, a Real Fábrica de Coina foi transferida para a Marinha Grande. A proximidade ao pinhal de Leiria e a abundância de matérias-primas e combustível, aconselhavam o fomento desta indústria na região. Mais tarde, o Marquês de Pombal veio a conceder vários apoios e subsídios para o desenvolvimento desta fábrica.

Entre 1748 e 1769 estabeleceram-se na Marinha Grande, John Beare e o inglês Guilherme Stephens, onde se dedicaram à indústria vidreira. A Real Fábrica de Vidros da Marinha Grande passou a ser a segunda maior produtora de cristal, a seguir à Inglaterra.
 
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